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Em poucas palavras
- Os tetravós Alberto Lenart e Tecla Bochenek chegaram ao Paraná em 1876, com duas filhas pequenas (Julianna e Maria), numa lista oficial de imigrantes “poloneses” [1] — e estão entre os primeiros colonos da Colônia Thomaz Coelho, perto de Curitiba (hoje Araucária) [2].
- Vieram da Galícia, a parte da Polônia que pertencia à Áustria. A colônia foi povoada sobretudo por camponeses da região de Gorlice e Biecz [3]; o óbito de Tecla (1897) parece citar “Binarowa, distrito de Gorlice” [4] — Provável / Hipótese.
- A linha até a geração atual está quase toda ligada por documentos: um casamento de 1907 confirma o casal “Adalberto Lenart × Tecla Bochenek” em Tomás Coelho [5]; o óbito do bisavô Alberto (Pitanga, 1979) nomeia os pais Pedro e Catarina Lenart [6].
- Rota da família: Thomaz Coelho/Araucária (1876–1913) → Prudentópolis (Pedro morre lá em 1971) → Pitanga (Alberto morre lá em 1979).
- Cidadania polonesa: muito provavelmente NÃO (Alberto saiu em 1876, antes de existir o Estado polonês e a lei de cidadania de 1920). A via realista é a Karta Polaka, que não é cidadania. Ver a aba Cidadania.
Como ler: níveis de evidência
| Nível | Significado |
|---|---|
| Confirmado | O fato consta de um registro primário (civil ou de igreja, ou lista oficial) cujo índice traz nomes, data, lugar e parentes que fecham a ligação. Ressalva: li os índices; as imagens originais ainda devem ser conferidas. |
| Provável | Muito provavelmente correto, mas apoiado em um único registro, num detalhe secundário de um registro, na árvore colaborativa do FamilySearch com fonte anexada, ou em índice de catálogo sem ver o original. |
| Tradição familiar | Vem apenas do que a família informou. |
| Hipótese | Dedução a partir das evidências; precisa ser testada. Nenhuma hipótese deve ser tratada como fato. |
Resumo das descobertas
1876 — chegada Confirmado como registro de imigrantes; Provável que sejam os tetravós: “LENART, Alberto; Tecla; Julianna; Maria”, nacionalidade polonesa, no ofício AP 506 (vol. 25, pp. 76–77) do Arquivo Público do Paraná [1]. No mesmo grupo viajou uma família Bochenek (Sebastião, Josepha, João, Paulo, Anna, Catharina, Maria) — se Tecla era parente deles é Hipótese.
Colônia Thomaz Coelho: “Alberto Lenart e Tecla” na lista dos imigrantes chegados em 1876 [2]. Na estatística colonial (Códice 832, p. 409) aparece a família “LEONARDO”: Alberto e Tecla (poloneses), João, Maria e Pedro (brasileiros) [7] — Provável.
Casal confirmado: casamento de 30/04/1907 em Tomás Coelho, noiva filha de Adalberto Lenart e “Therla Bochenck” (= Tecla Bochenek) [5] — Confirmado.
Tecla morre em 1897 (Tomás Coelho, 50 anos) [4]; Alberto em 29/08/1913 (Araucária) [8][9] — ambos Provável.
Pedro Alberto Lenart (trisavô): n. 20/03/1883, batizado em Thomaz Coelho em 26/03/1883; † 21/06/1971 em Prudentópolis [10] — Provável. Casou com Catarina Sendezki, nascida no Brasil, filha (provável) de Jacob e Izabel Sendezki [11][12].
Alberto Lenart (bisavô): † 13/08/1979 em Pitanga, 69 anos; pais Pedro e Catarina Lenart [6] — Confirmado. Um filho, Antonio, morreu menino em Pitanga em 1952 [13].
Bisavó, avós, pais e geração 0: pessoas vivas (ou sem data) — dados protegidos nesta versão pública.
Gerações, da geração 0 aos tetravós
Grafias do sobrenome e dos nomes nos registros
Rota da família
A Galícia: como era a vida e por que saíram
Não há documento com os motivos da família; o que segue é o contexto histórico (Hipótese para o caso concreto).
Uma Polônia sem Estado: desde as partilhas de 1772–1795 a Polônia não existia como país. O sul (Cracóvia, Tarnów, Gorlice, Biecz e, a leste, Lviv) formava o Reino da Galícia e Lodoméria, província do Império Austríaco [25]. Por isso os documentos brasileiros chamam esses imigrantes ora de “poloneses”, ora de “austríacos”.
Gorlice e Biecz: cidadezinhas no sopé dos Cárpatos, às margens do rio Ropa, cercadas de aldeias de camponeses católicos de língua polonesa (os “Mazurzy” de Głuchowski) [3]. Biecz era uma velha cidade real com prefeitura do século XVI; em Gorlice, Ignacy Łukasiewicz criou nos anos 1850 a primeira lâmpada de querosene de rua, mas a riqueza do petróleo não chegou ao campo.
Fome de terra: a servidão só foi abolida na Galícia em 1848. Depois disso, as propriedades camponesas foram divididas entre os filhos a cada geração, até virarem faixas pequenas demais para alimentar uma família. A Galícia ficou conhecida como uma das regiões mais pobres da Europa (“miséria galiciana”), com fome em anos de má colheita, dívidas e impostos.
O agente e a propaganda: Thomaz Coelho foi povoada por camponeses recrutados na região de Gorlice pelo agente Eugeniusz Bendaszewski, natural de Gorlice, que organizou um transporte direto Hamburgo → Paranaguá [3][24]. O governo brasileiro pagava a passagem e prometia lote de terra, sementes e ferramentas.
A “febre brasileira”: a expressão polonesa gorączka brazylijska nomeia as grandes ondas de 1890–1891 (Polônia russa) e 1895–1896 (Galícia Oriental, sobretudo ucranianos, que fundaram Prudentópolis) [26][27]. Os Lenart são anteriores a essas febres: fazem parte da primeira leva galiciana, de 1876.
A viagem (1876)
O porto — um conflito: a árvore do FamilySearch diz “28/11/1876, Antuérpia”, sem fonte [8]. Os estudos sobre Thomaz Coelho dizem que os galicianos de Bendaszewski seguiam Hamburgo → Paranaguá [3][24]. Os silesianos de Opole do mesmo ano vieram por Antuérpia no vapor “Salier”, mas Lenart e Bochenek não estão nessas listas [28]. Hamburgo é Provável; Antuérpia é Hipótese. Só a lista de bordo resolve.
A travessia: de Hamburgo ao Brasil, um vapor levava em 1876 cerca de 4 a 6 semanas, com escala habitual no Rio de Janeiro; parte dos imigrantes passava pela Ilha das Flores antes de seguir para o sul em navio costeiro. Os emigrantes viajavam na terceira classe, em porões coletivos.
Paranaguá: o porto do Paraná, na baía de Paranaguá. Em 1876 ainda não havia ferrovia para Curitiba (a Estrada de Ferro Paranaguá–Curitiba só foi inaugurada em 1885); a subida da Serra do Mar era feita pela Estrada da Graciosa, em carroções, ou a pé.
Curitiba: na chegada, os imigrantes ficavam em barracões provisórios até a distribuição dos lotes. O presidente da província, Adolpho Lamenha Lins, criou em 1875–1877 um anel de colônias em volta da cidade para abastecê-la de alimentos — Thomaz Coelho foi uma delas [2][29].
O navio da família: ainda não localizado. O ofício AP 506 é uma lista provincial, não de bordo; a página original pode citar o vapor e a data [1]. Ver Pistas na aba Cidadania.
A Colônia Thomaz Coelho (1876)
Fundação: criada em 1876 por Lamenha Lins, a cerca de 18 km de Curitiba, no atual município de Araucária, para produzir alimentos para a capital [2]. Foi a maior colônia polonesa dos arredores de Curitiba; segundo Głuchowski, tinha cerca de 1.375 pessoas, vindas sobretudo da Galícia Ocidental (e algumas da Prússia Ocidental) [3].
Os primeiros colonos: a lista de Swierczek de 1876 tem 30 casais, como Martim e Madalena Surek, Antônio Wzorek e Maria, Lourenço Czulik e Catarina — e Alberto Lenart e Tecla [2]. Vários desses sobrenomes (Wzorek, Czulik, Gogola, Klemba, Dranka) estão também na lista provincial de 1876 junto aos Lenart [1].
A vida na colônia: cada colono recebia um lote, um auxílio em dinheiro e sementes e ferramentas, e trabalhava na abertura de estradas para pagar as dívidas; plantava-se milho, feijão, batata e centeio, e criavam-se porcos. A capela de São Miguel é de 1882; a Princesa Isabel visitou a colônia em 10/12/1884 e anotou que a capela era “bonitinha, mas horrivelmente pequena para os 3000 colonos” [29].
A família na colônia: os Lenart aparecem como família “Leonardo” na estatística colonial (1877–1887) [7]; a família Sendezki, da futura nora Catarina, está na mesma série [11]. Pedro e Catarina cresceram, portanto, vizinhos de colônia (Provável).
O fim da colônia: cerca de cem anos depois da fundação (anos 1980), o centro da antiga colônia foi inundado pela Represa do Passaúna, que abastece Curitiba; 179 propriedades desapareceram. A capelinha de São Miguel (1894) virou o Memorial da Imigração Polonesa de Araucária, inaugurado em 1995 [2].
A expansão: de Araucária para Prudentópolis e Pitanga
Por que saíam: os lotes de Thomaz Coelho, como os da Galícia, foram sendo divididos entre muitos filhos (Pedro e Catarina tiveram pelo menos dez). As novas gerações dos “thomazcoelhaki” se espalharam por Araucária, Contenda, Lapa, Campo Largo e Balsa Nova [3], e mais tarde para as terras novas do centro-sul — Hipótese para a família, mas é o padrão da época.
Prudentópolis: em 1896 receberam ali cerca de 1.500 famílias ucranianas da Galícia Oriental (cerca de 8 mil pessoas); o município foi criado em 1906 e é o “mais ucraniano do Brasil” [22]. Pedro Alberto morreu lá em 1971 [10].
Pitanga: recebeu, a partir de 1914, colonos vindos de Rio dos Patos (Prudentópolis); virou município em 1943 [30]. Alberto (bisavô) vivia lá em 1952 e morreu lá em 1979 [13][6]. A data e o caminho exatos da mudança são Hipótese.
Árvore Genealógica
Clique em qualquer pessoa para ver detalhes e fontes. Cartões com borda vermelha indicam a linhagem direta. O ícone ⚓ indica imigrante nascido(a) na Europa. Cada cartão mostra o nível de evidência.
Pessoas
“Outros Lenart” ficam aqui separados para não serem misturados com a linha direta por engano. Pessoas vivas não aparecem nesta lista; na árvore ficam como “Pessoa viva (dados protegidos)”.
Documentos
Registros de igreja, registros civis e listas oficiais encontrados (1876–1979). Clique em um documento para ver o resumo, os fatos do índice e o link da fonte.
Linha do Tempo
Guia de cidadania: o que é possível de verdade
Fontes
Imagens: cada legenda traz autor, licença e link da página no Wikimedia Commons. Os mapas foram feitos para esta pesquisa com base cartográfica © colaboradores do OpenStreetMap (ODbL). Nenhuma imagem foi gerada por inteligência artificial e nenhuma imagem retrata a família Lenart.