Família Lenart

Da Galícia austríaca ao Paraná — de 1876 até hoje

Gorlice / Biecz (Galícia) → 1876 → Hamburgo ou Antuérpia → Paranaguá → Colônia Thomaz Coelho (Araucária) → Prudentópolis → Pitanga

🔒 Privacidade: por respeito à privacidade e em conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados – Lei nº 13.709/2018), os dados de pessoas vivas foram ocultados nesta versão pública. Nomes, datas, locais e documentos de familiares vivos aparecem apenas na versão privada entregue à família. Os registros históricos de antepassados já falecidos são públicos e citados com suas fontes.

Início

Em poucas palavras

  • Os tetravós Alberto Lenart e Tecla Bochenek chegaram ao Paraná em 1876, com duas filhas pequenas (Julianna e Maria), numa lista oficial de imigrantes “poloneses” [1] — e estão entre os primeiros colonos da Colônia Thomaz Coelho, perto de Curitiba (hoje Araucária) [2].
  • Vieram da Galícia, a parte da Polônia que pertencia à Áustria. A colônia foi povoada sobretudo por camponeses da região de Gorlice e Biecz [3]; o óbito de Tecla (1897) parece citar “Binarowa, distrito de Gorlice” [4] — Provável / Hipótese.
  • A linha até a geração atual está quase toda ligada por documentos: um casamento de 1907 confirma o casal “Adalberto Lenart × Tecla Bochenek” em Tomás Coelho [5]; o óbito do bisavô Alberto (Pitanga, 1979) nomeia os pais Pedro e Catarina Lenart [6].
  • Rota da família: Thomaz Coelho/Araucária (1876–1913) → Prudentópolis (Pedro morre lá em 1971) → Pitanga (Alberto morre lá em 1979).
  • Cidadania polonesa: muito provavelmente NÃO (Alberto saiu em 1876, antes de existir o Estado polonês e a lei de cidadania de 1920). A via realista é a Karta Polaka, que não é cidadania. Ver a aba Cidadania.
Documento de trabalho. Versão 1 — 23 de outubro de 2026. Os registros do FamilySearch têm link “ark” (abre com conta gratuita); links “tree/person” são da Árvore Familiar colaborativa, que qualquer pessoa pode editar — valem no máximo como Provável. Grafias erradas dos índices aparecem entre aspas. Dados de pessoas vivas foram ocultados nesta versão pública. Números entre colchetes, como [1], abrem a aba Fontes.

Como ler: níveis de evidência

NívelSignificado
ConfirmadoO fato consta de um registro primário (civil ou de igreja, ou lista oficial) cujo índice traz nomes, data, lugar e parentes que fecham a ligação. Ressalva: li os índices; as imagens originais ainda devem ser conferidas.
ProvávelMuito provavelmente correto, mas apoiado em um único registro, num detalhe secundário de um registro, na árvore colaborativa do FamilySearch com fonte anexada, ou em índice de catálogo sem ver o original.
Tradição familiarVem apenas do que a família informou.
HipóteseDedução a partir das evidências; precisa ser testada. Nenhuma hipótese deve ser tratada como fato.
6Gerações (tetravós → geração 0)
1876Chegada ao Paraná
–Registros e listas citados
–Pessoas da família com dados exibidos (falecidas)
–Fontes numeradas

Resumo das descobertas

1876 — chegada Confirmado como registro de imigrantes; Provável que sejam os tetravós: “LENART, Alberto; Tecla; Julianna; Maria”, nacionalidade polonesa, no ofício AP 506 (vol. 25, pp. 76–77) do Arquivo Público do Paraná [1]. No mesmo grupo viajou uma família Bochenek (Sebastião, Josepha, João, Paulo, Anna, Catharina, Maria) — se Tecla era parente deles é Hipótese.

Colônia Thomaz Coelho: “Alberto Lenart e Tecla” na lista dos imigrantes chegados em 1876 [2]. Na estatística colonial (Códice 832, p. 409) aparece a família “LEONARDO”: Alberto e Tecla (poloneses), João, Maria e Pedro (brasileiros) [7] — Provável.

Casal confirmado: casamento de 30/04/1907 em Tomás Coelho, noiva filha de Adalberto Lenart e “Therla Bochenck” (= Tecla Bochenek) [5] — Confirmado.

Tecla morre em 1897 (Tomás Coelho, 50 anos) [4]; Alberto em 29/08/1913 (Araucária) [8][9] — ambos Provável.

Pedro Alberto Lenart (trisavô): n. 20/03/1883, batizado em Thomaz Coelho em 26/03/1883; † 21/06/1971 em Prudentópolis [10] — Provável. Casou com Catarina Sendezki, nascida no Brasil, filha (provável) de Jacob e Izabel Sendezki [11][12].

Alberto Lenart (bisavô): † 13/08/1979 em Pitanga, 69 anos; pais Pedro e Catarina Lenart [6] — Confirmado. Um filho, Antonio, morreu menino em Pitanga em 1952 [13].

Bisavó, avós, pais e geração 0: pessoas vivas (ou sem data) — dados protegidos nesta versão pública.

Gerações, da geração 0 aos tetravós

Grafias do sobrenome e dos nomes nos registros

Rota da família

A Galícia: como era a vida e por que saíram

Não há documento com os motivos da família; o que segue é o contexto histórico (Hipótese para o caso concreto).

Uma Polônia sem Estado: desde as partilhas de 1772–1795 a Polônia não existia como país. O sul (Cracóvia, Tarnów, Gorlice, Biecz e, a leste, Lviv) formava o Reino da Galícia e Lodoméria, província do Império Austríaco [25]. Por isso os documentos brasileiros chamam esses imigrantes ora de “poloneses”, ora de “austríacos”.

Gorlice e Biecz: cidadezinhas no sopé dos Cárpatos, às margens do rio Ropa, cercadas de aldeias de camponeses católicos de língua polonesa (os “Mazurzy” de Głuchowski) [3]. Biecz era uma velha cidade real com prefeitura do século XVI; em Gorlice, Ignacy Łukasiewicz criou nos anos 1850 a primeira lâmpada de querosene de rua, mas a riqueza do petróleo não chegou ao campo.

Fome de terra: a servidão só foi abolida na Galícia em 1848. Depois disso, as propriedades camponesas foram divididas entre os filhos a cada geração, até virarem faixas pequenas demais para alimentar uma família. A Galícia ficou conhecida como uma das regiões mais pobres da Europa (“miséria galiciana”), com fome em anos de má colheita, dívidas e impostos.

O agente e a propaganda: Thomaz Coelho foi povoada por camponeses recrutados na região de Gorlice pelo agente Eugeniusz Bendaszewski, natural de Gorlice, que organizou um transporte direto Hamburgo → Paranaguá [3][24]. O governo brasileiro pagava a passagem e prometia lote de terra, sementes e ferramentas.

A “febre brasileira”: a expressão polonesa gorączka brazylijska nomeia as grandes ondas de 1890–1891 (Polônia russa) e 1895–1896 (Galícia Oriental, sobretudo ucranianos, que fundaram Prudentópolis) [26][27]. Os Lenart são anteriores a essas febres: fazem parte da primeira leva galiciana, de 1876.

A viagem (1876)

O porto — um conflito: a árvore do FamilySearch diz “28/11/1876, Antuérpia”, sem fonte [8]. Os estudos sobre Thomaz Coelho dizem que os galicianos de Bendaszewski seguiam Hamburgo → Paranaguá [3][24]. Os silesianos de Opole do mesmo ano vieram por Antuérpia no vapor “Salier”, mas Lenart e Bochenek não estão nessas listas [28]. Hamburgo é Provável; Antuérpia é Hipótese. Só a lista de bordo resolve.

A travessia: de Hamburgo ao Brasil, um vapor levava em 1876 cerca de 4 a 6 semanas, com escala habitual no Rio de Janeiro; parte dos imigrantes passava pela Ilha das Flores antes de seguir para o sul em navio costeiro. Os emigrantes viajavam na terceira classe, em porões coletivos.

Paranaguá: o porto do Paraná, na baía de Paranaguá. Em 1876 ainda não havia ferrovia para Curitiba (a Estrada de Ferro Paranaguá–Curitiba só foi inaugurada em 1885); a subida da Serra do Mar era feita pela Estrada da Graciosa, em carroções, ou a pé.

Curitiba: na chegada, os imigrantes ficavam em barracões provisórios até a distribuição dos lotes. O presidente da província, Adolpho Lamenha Lins, criou em 1875–1877 um anel de colônias em volta da cidade para abastecê-la de alimentos — Thomaz Coelho foi uma delas [2][29].

O navio da família: ainda não localizado. O ofício AP 506 é uma lista provincial, não de bordo; a página original pode citar o vapor e a data [1]. Ver Pistas na aba Cidadania.

A Colônia Thomaz Coelho (1876)

Fundação: criada em 1876 por Lamenha Lins, a cerca de 18 km de Curitiba, no atual município de Araucária, para produzir alimentos para a capital [2]. Foi a maior colônia polonesa dos arredores de Curitiba; segundo Głuchowski, tinha cerca de 1.375 pessoas, vindas sobretudo da Galícia Ocidental (e algumas da Prússia Ocidental) [3].

Os primeiros colonos: a lista de Swierczek de 1876 tem 30 casais, como Martim e Madalena Surek, Antônio Wzorek e Maria, Lourenço Czulik e Catarina — e Alberto Lenart e Tecla [2]. Vários desses sobrenomes (Wzorek, Czulik, Gogola, Klemba, Dranka) estão também na lista provincial de 1876 junto aos Lenart [1].

A vida na colônia: cada colono recebia um lote, um auxílio em dinheiro e sementes e ferramentas, e trabalhava na abertura de estradas para pagar as dívidas; plantava-se milho, feijão, batata e centeio, e criavam-se porcos. A capela de São Miguel é de 1882; a Princesa Isabel visitou a colônia em 10/12/1884 e anotou que a capela era “bonitinha, mas horrivelmente pequena para os 3000 colonos” [29].

A família na colônia: os Lenart aparecem como família “Leonardo” na estatística colonial (1877–1887) [7]; a família Sendezki, da futura nora Catarina, está na mesma série [11]. Pedro e Catarina cresceram, portanto, vizinhos de colônia (Provável).

O fim da colônia: cerca de cem anos depois da fundação (anos 1980), o centro da antiga colônia foi inundado pela Represa do Passaúna, que abastece Curitiba; 179 propriedades desapareceram. A capelinha de São Miguel (1894) virou o Memorial da Imigração Polonesa de Araucária, inaugurado em 1995 [2].

A expansão: de Araucária para Prudentópolis e Pitanga

Por que saíam: os lotes de Thomaz Coelho, como os da Galícia, foram sendo divididos entre muitos filhos (Pedro e Catarina tiveram pelo menos dez). As novas gerações dos “thomazcoelhaki” se espalharam por Araucária, Contenda, Lapa, Campo Largo e Balsa Nova [3], e mais tarde para as terras novas do centro-sul — Hipótese para a família, mas é o padrão da época.

Prudentópolis: em 1896 receberam ali cerca de 1.500 famílias ucranianas da Galícia Oriental (cerca de 8 mil pessoas); o município foi criado em 1906 e é o “mais ucraniano do Brasil” [22]. Pedro Alberto morreu lá em 1971 [10].

Pitanga: recebeu, a partir de 1914, colonos vindos de Rio dos Patos (Prudentópolis); virou município em 1943 [30]. Alberto (bisavô) vivia lá em 1952 e morreu lá em 1979 [13][6]. A data e o caminho exatos da mudança são Hipótese.

Árvore Genealógica

Clique em qualquer pessoa para ver detalhes e fontes. Cartões com borda vermelha indicam a linhagem direta. O ícone ⚓ indica imigrante nascido(a) na Europa. Cada cartão mostra o nível de evidência.

Selos:ConfirmadoProvávelTradição familiarHipótese

Pessoas

“Outros Lenart” ficam aqui separados para não serem misturados com a linha direta por engano. Pessoas vivas não aparecem nesta lista; na árvore ficam como “Pessoa viva (dados protegidos)”.

Documentos

Registros de igreja, registros civis e listas oficiais encontrados (1876–1979). Clique em um documento para ver o resumo, os fatos do índice e o link da fonte.

📁 Imagens dos originais: ainda não localizadas. A pesquisa leu os índices (FamilySearch e catálogos do Arquivo Público do Paraná); as imagens dos registros ainda devem ser conferidas. As fotos e mapas de contexto estão na aba Início (clique para ampliar).

Linha do Tempo

Imigração / mudança Nascimento Casamento Falecimento Marco histórico
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Guia de cidadania: o que é possível de verdade

Fontes